O terceiro episódio do PodSafer, videocast da e-Safer, entra em um dos temas mais críticos da cibersegurança atual: como serviços especializados como SOC e MSS estão se tornando indispensáveis diante da escalada dos ataques.
Com participação de Lucas Berti, Head do SOC da e-Safer e cofundador da comunidade SOC Brazil, e Marcelo Moraes, Coordenador de Consultoria e MSS na e-Safer, e com apresentação de Eder Souza, CTSO da e-Safer, o episódio traz uma visão prática sobre operação de segurança, maturidade das empresas e os erros mais comuns do mercado.

O cenário não deixa dúvidas: ataques estão mais rápidos, caros e frequentes
Logo na abertura, o episódio apresenta números que explicam a urgência do tema:
- 194 dias para detectar uma violação, em média;
- +30% de aumento nos ataques em 2024;
- US$ 2 milhões de custo médio por incidente;
- US$ 11 trilhões de prejuízo global com cibercrime.
Para Lucas, o impacto é ainda mais claro:
“Se fosse um país, o cybercrime seria o terceiro maior PIB do mundo.”
SOC e MSS: conceitos confundidos e mal aplicados
Um dos principais pontos do episódio é a confusão comum entre SOC e MSS.
Segundo Lucas:
“Tudo que for operação de segurança pode estar dentro do SOC.”
Enquanto isso, o MSS atua na sustentação das ferramentas:
“A gente busca trazer informação acionável, não apenas um monte de dados sem valor.”diz Marcelo Moraes.
Na prática:
- SOC → operação, monitoramento, resposta
- MSS → gestão, sustentação e eficiência das ferramentas
O erro mais comum: comprar tecnologia sem saber usar
O episódio reforça um ponto recorrente nos bastidores da cibersegurança:
empresas investem em ferramentas, mas não conseguem extrair valor delas.
Como destaca o host Eder:
“As empresas investem em tecnologia, mas não têm pessoas capacitadas para extrair o potencial daquilo.”
Isso impacta diretamente:
- ROI dos investimentos
- eficiência operacional
- capacidade de resposta
MSS cresce porque segurança virou complexa demais
Para Marcelo, o crescimento dos serviços gerenciados é consequência direta da complexidade atual:
“O profissional precisa andar com um canivete suíço no bolso.”
Hoje, um único ambiente pode exigir conhecimento em:
- redes;
- endpoints;
- APIs;
- cloud;
- identidade;
- comportamento.
E isso não escala internamente para a maioria das empresas.
SOC evoluiu e ficou muito mais complexo
Lucas, com mais de 15 anos de experiência, destaca a mudança radical:
“Antes eram uma ou duas pessoas. Hoje o escopo aumentou drasticamente.”
A evolução trouxe:
- mais tecnologias;
- mais vetores de ataque;
- mais dados;
- mais necessidade de monitoramento.
Resultado: o SOC deixou de ser opcional.
Segurança não começa do jeito certo, ela “acontece”
Um dos insights mais fortes do episódio é sobre como a segurança surge nas empresas:
“Normalmente a segurança não começa. Ela acontece.”
Ou seja:
- não há planejamento inicial;
- ferramentas são adicionadas ao longo do tempo;
- processos não são estruturados.
Isso gera ambientes complexos e pouco eficientes.
Monitorar tudo é impossível. Foco é estratégico.
Outro ponto crítico discutido:
não é viável monitorar 100% do ambiente.
Segundo os especialistas, o caminho é claro:
- identificar as “joias da coroa”;
- priorizar o que sustenta o negócio;
- otimizar o investimento.
Mitos do mercado: o que ainda está errado
O episódio também desconstrói algumas ideias comuns:
❌ “SOC terceirizado é inferior”
✔ Mito
Parceiros especializados aceleram a maturidade e trazem experiência de mercado.
❌ “Empresa pequena não precisa de MSS”
✔ Mito
Na prática, faz ainda mais sentido financeiramente e operacionalmente.
❌ “Tecnologia resolve tudo”
✔ Mito
Segundo Lucas:
“Nem toda melhoria de segurança precisa de tecnologia.”
Marcelo complementa:
“Boa parte dos planos de ação não tem relação com ferramenta, mas com pessoas e processos.”
O fator humano ainda é o diferencial
Mesmo com IA e automação, o episódio deixa claro:
o humano continua sendo decisivo.
“Nenhuma tecnologia é melhor que um ser humano que sabe usar a tecnologia.”
Além disso, fatores como:
- cansaço;
- desatenção;
- falta de capacitação.
podem gerar incidentes críticos.
Zero Trust: buzzword ou realidade?
O episódio também aborda um dos termos mais discutidos do mercado.
Para Marcelo:
“Zero Trust é uma filosofia, não uma tecnologia.”
Já Lucas alerta para o excesso de hype:
“De tanto repetir, às vezes o tema perde credibilidade.”
Na prática, o conceito é válido, mas sua aplicação ainda é um desafio.

Conclusão: segurança hoje é operação contínua
O PodSafer Ep. 3 deixa uma mensagem clara:
Cibersegurança não é ferramenta, não é projeto, é operação contínua.
E sem:
- pessoas capacitadas;
- processos estruturados;
- serviços especializados.
As empresas ficam em desvantagem frente a ataques cada vez mais rápidos e sofisticados.
Assista ao PodSafer Ep. 3
O novo episódio do PodSafer, da e-Safer, mostra como SOC e MSS estão redefinindo a forma como empresas se protegem, com uma visão prática, direta e baseada em experiência real de mercado.











